Para a compreensão da natureza da Tragédia Grega e do nascimento da Filosofia recomendo a leitura de Nietzsche "A Origem da Tragédia". É quando ele fala na interação entre os espíritos apolíneo e dionisíaco. A partir daí, alguma luz, para se entender o que é Cultura.
O primeiro contato de Cristóforo com a nova máquina chamada PC deu-se por volta dos anos 1.900. Era um computador XT. Logo uma reciprocidade, pelas respostas prontas. Ele dava aulas de tênis na academia da filha e do genro. Nos intervalos, trabalhava no romance que estava escrevendo. Computador aceita fácil as correções, arquivando tudo direitinho, menos papelada. É como se possuísse pastas e gavetas. Acidentes e o perigo de perdas eram sanados pelo amigo Homerinho, expert nessa tecnologia. Digitava com os dez dedos, treino adquirido em sua antiga Remington, parecendo datilógrafo de cartório. A literatura tomava impulso, contos inspirados na experiência do Hospital Psiquiátrico, um dos lugares em que trabalhava, além das escolas e faculdade. Isso de mais de um emprego, constante na vida de Cristóforo. Alguns ganhos pequenos, somados, ajudavam. Sempre criticado, em família, pela falta de maior ambição.
Somos falantes e, muitas vezes, o pensamento sofre em face da convicção e da indignação. Ambas juntas, chegam a atravancar. Falação que cansa, ainda bem que acusada de estar fora da realidade social. Nossas categorias, algo datadas. Fácil a gente virar simulacro. Meu discurso, contaminado pela lógica da necessidade. Sinto que uma mudança se opera, e é qualitativa. Cristóforo via-se como o “homo aestheticus”, preocupado em experimentar emoções coletivas nas tribos em que atua: aulas, teatro. Comunhão de sentimentos, as mesmas sensações, a intuição. Consenso, pertencimento. Menos a ver com o linear previsível. Em sua casa, o antigo Gabinete, hoje chamado Pensatório (homenagem ao artista Tunga), ninho de silêncio. Aí, ouvindo jazz, escreve. Dia de limpeza, melhor se fechar e fazer literatura. (Continua)
Da dissertação acadêmica de Tati Costa colho frutos. Sei que em literatura de ficção (romance, contos), parece ser preciso contar uma história. Assim como no cinema. Infelizmente. Se considerarmos a linguagem da literatura, como fotografia, seremos mais livres. Claro que o cinema pode ser visto como fotografia, mais do que como enredo - pensamento, aliás, que é de Kiarostami. Na linguagem deste cineasta: "Estrada que se estende em direção a certo lugar que não se vê pode abrir-nos um mundo desconhecido". Cria-se a liberdade de imaginar uma história. Cada observador (ou interlocutor) realizando a própria viagem.
Não espero que a leitura do que escrevo siga a uma tendência ideológica fechada qualquer, mas respeito a livre interpretação de cada um. Ressonâncias da própria experiência de vida fazem nascer em nós sentidos e não-sentidos. Importa que se tome consciência da massificação a que estamos sujeitos, o que nos reduz a uma “unidade econômica”, produto do trabalho e do consumo. A que valores devemos buscar numa existência que faça sentido? Eis o principal desafio desta minha forma de expressão – a literária e, nela, o blog.
Enquanto esta página permanece visível faço correções, complementando o que é preciso. Eis o aviso aos meus caríssimos leitores, aos que comentam, e a todos os que concordando ou não com as minhas ideias, fruindo ou não as minhas emoções, me permanecem fiéis. Dependente de afetos, preciso de estímulos, críticas positivas ou não, poucas, o que nunca faltou em cerca de 20 mil passagens por aqui. Época em que se tem maior acesso a livros pela web comecei o meu "A Arte Nobre", sobre a dramática do poder. Sei que é difícil falar com a boca cheia de algo indigesto. Creio num caminho que me leva à essência de mim. Eu me apresento como testemunha de alguém que, por acaso, sou eu. Um ano de realizações para todos nós. Aos meus companheiros, um viva!
Cristóforo reconhece ter tido mais de uma fase de transição. Sem que o voluntário fale o tempo todo, o momento atual, com os diálogos entre ele e Aldo Costamares, servem mais à expressão intuição mandálica,atribuída ao amigo G.W.G. Moraes. Não há qualquer preocupação didática para apresentar as fases. O interesse pode estar no esforço de se mergulhar no como das passagens. Núcleos compreensivos deverão surgir para o leitor. Melhor do que uma cansativa linguagem linear explicativa que, por certo, alimentaria o ego narcisista do autor. Uma pessoa não conhece a si mesma. Autorreferência, num processo, é outra coisa. É quando a mente total objetiva se compreender. Quantas vidas nessa direção! Não é pergunta, mas exclamação.
A necessidade de um mentor conduz na busca de memórias, sonhos e reflexões. Memórias do autor, sonhos do autor, reflexões do autor. E, na linha do pensar não só a favor de si mesmo, a ajuda de pensadores da grande questão humana. Às vezes nomeados ou não, o que se pretende é que os relatos não tirem a responsabilidade de quem os faz. Maior preito é ao agora. (Continua)
A quinta edição do FAIA - Festival de Atibaia Internacional do Audiovisual, acontecerá no período de 12 a 16 de janeiro de 2010, no Centro de Convenções Victor Brecheret e no Atibaia Residence Hotel, em Atibaia, São Paulo e além de reunir em sua Mostra Competitiva "Troféu Sapuari" os curta-metragens e vídeos digitais premiados nos principais festivais brasileiros realizados em 2009, apresentará ainda Mostras Paralelas com produções premiadas nos Festivais de Contis (França) e FIKE - Festival Internacional de Curta Metragens de Évora (Portugal). Neste ano o Festival homenageará a Cineasta Suzana Amaral.
Vou trabalhando no palimpsesto de TC, onde me instruo. A pérola, no estudo sobre o envelhecimento: "Perdas e mortes, aspecto mais marcante de se sentir o envelhecimento". Referência, também, a Saramago, onde o autor se expressa poeticamente a respeito da relação com a morte e suas memórias sobre os avós. Outra pérola, a citação do neurologista Oliver Sacks: "Vemos com a emoção". Diz TC: "Assim, também, com fortes sentimentos e emoções, se narra".
Cristóforo interioriza a história da própria vida, convertendo-a em arquivo vivo. Aí busca inspiração para a sua escrita. Nem importa o gênero em que está trabalhando, seja romance ou contos. Seus interesses transitam por cinema, teatro, literatura, dança, música e artes visuais. Generoso, concordou em participar da edição mais recente da Iniciativa Programática de Mentores e Protegidos em Arte. Não se limita a realizar obras que busquem o sucesso. Nem o frenesi por premiações o seduz. Foi sempre um apaixonado pela poeirinha luminosa no escuro dos cineclubes. Em literatura, modesto, também se sente nesse escurinho. Há uma poeirinha luminosa, enquanto alimenta a própria obsessão por palavras e imagens. Sente que engatinha em processos. Incansável na paixão (é paixão!) filosófica e técnica da arte de se expressar, sobretudo pela literatura.
O tempo é um móvel que o fascina. Assimétrico. Presente que vira passado e o futuro que vira presente. Marca do cosmos e da vida. A busca de experiências novas desacelera a passagem do tempo. Forma de se envelhecer de um modo menos rápido. Ele ainda deseja se envolver mais com música, pensa isso, enquanto escreve ouvindo Ornette Coleman.
Tem consciência de que no blog trabalha de um jeito não comum na web. Não visa aceitação pública irrestrita. Aliás, sua obra não é para virar bestseller. (Continua)
Dos retratos 3x4 este o mais verdadeiro, talvez. Meio dolorido se ver por prisma contrário ao de um bon vivant. Aquela noção já tão propalada de que é preciso pensar contra si mesmo. Mas não só contra, se conseguir. Por certo sobra algo a favor. No fundo de todo pessimismo alguma galhofa, e até um pouco de sino repicado. Não por exéquias, mas onde há muita derrapagem o que se aprende melhora a autoestima. Com a palavra, Cristóforo. Não me considero um bom analista, ao pensar nos dias de hoje. Todo jornal fala muito em economia, matéria de que não entendo nada. Finanças, o mais próximo, é sentida quando falta e quando sobra. Ao sobrar, o que se pretende é ter cada vez mais. Prejuízo, quando se ganha menos. Honesto, desde a minha juventude, cometi alguns deslizes. Dá trabalho enumerá-los. Ainda bem que me vejo como inocente e ingênuo. O fato de saber pouco me ajudou a ser professor do que pouco entendia. Não fui excelente em nada, mas representei papéis de dono de verdades. Tudo o que fiz, e que me deu projeção em paróquias, nascia de atos improvisados. Já disse muitas besteiras. Meus livros são um misto de literatura, filosofia, pedagogia. Não faltam pinceladas daquela psicologia chamada profunda. Denuncio livros de autoajuda, os que prescrevem receitas de sucesso nos negócios e na vida, mas não faço outra coisa. Pontifico de forma menos explícita o que é fruto de minhas experiências. Dou a isso o nome de depoimentos. Isso não implica em autoajuda? Nunca deixei de ser messiânico e desejar adeptos. Espero sempre críticas positivas ao que faço... embora brinque, sob o epíteto de especialista em fracassos. Ouvi isso de um terapeuta. Sei que críticas arrasadoras e maldosas ainda estão para acontecer. Sou incerto quanto ao meu talento... Não há genialidade em mim. E, ao dizer isso, sei que estou sendo pretencioso. Politicamente não fiz nada importante, a não ser algum ativismo que deu certo, na época em que ecologia era pouco mais que uma palavra, anos 80, século passado. Sei que já decepcionei pessoas, desde o meu pai que queria que eu fosse advogado. Tenho o defeito de amplificar a própria consciência. Existe alguma ingenuidade e burrice com relação a falsas qualidades. Demorei a perceber isso. Quero continuar vivo em minhas complexidades e contradições. Não sou ícone de nada. Intelectual? Sei que um intelectual me tem, o que é um grande defeito. Preferia ser mais prático. Artista? Há quem me reconheça assim. Sou um poeta bissexto? Perguntas que outros responderão melhor. Sou escritor? Sina, desde que me entendo por gente. Tenho sido acusado de ficcionista-tempo-integral. Um Dom Quixote? Cada vez o admiro mais. Sou um ativista? Já fui... Hoje vivo pelo pensamento. Sensibilidade? Sei que tenho muito a aprender, já que saio pouco de mim. Não me considero nem exemplar, nem edificante.
Nesta altura, faltava a Cristóforo atribuir-se qualidades e anseios. Teatro, performance, cinema – paixões. Não vive sem fazer arte, arriscando às vezes. Literatura é modo de vida. Cada vez mais doméstico, familiar. Ele foi alguém que não alimentou dependências. Lido por quem pensa o que sente. Teve um percurso que, conhecido, se poderá evitar generalidades. Defendeu valores que colocam a natureza como abrangente na relação com a cultura. Contra as coisificações do sistema. Hoje, inclusive, sistema virou personagem nas relações com pessoas e coisas. Teve morte natural, como lhe era o desejo. (Continua)
[Euclides Sandoval][e_sandoval@ig.com.br][http://ipansotera3.zip.net] Para Tati e Dani: Glauber veio para permanecer. Num tempo que é eterno, em cada momento, vamos navegando. Glauber viveu o par de opostos da vida, entre a cultura oficial e a que ele propunha. Sobra o abrangente. Na fragilidade, que não se perca a consciência. Aguardo vocês em corpo e espírito. Ano de desafios...
03/01/2010 09:20
[Daniel Choma] Que boa notícia! Os experimentais ganham uma nova chance! Sem dúvida, Glauber deve estar comemorando... Boa sorte, bons trabalhos e... subverta, sempre.
Aldo escreve no “Jornal de Oréade” sobre o mundo visto de uma cadeira de rodas. Cristóforo ao abrir o baú de pastas e papéis, uns já carcomidos pelo tempo, dá com a matéria do amigo. Ele a ilustrou com um desenho tão representativo que, por pudor, prefere não divulgar. Trata-se de metáfora, mas vai que alguém o identifica como retrato de si. Seria deprimente. Costamares fala sobre situações cotidianas que só nos impressionam quando vividas por aproximação mais direta. “Tendo meu sogro, por razões de doença, necessitado de uma cadeira de rodas, fui eu me informar de qualidade e preço. E, é claro, me vieram à mente algumas visões de mundo através de uma cadeira de rodas. O horizonte se retrai, por razões internas e externas, as coisas, os fatos, as pessoas, tudo mais próximo, mais vago. O diálogo se reduz nas palavras e no sentido, os gestos medidos.Pessoas chegam e se aproximam, gestual, palavras, sorrisos estudados. Separadas de fato, se juntam ali, artificialmente, em função do acontecimento maior, sintetizado na cadeira de rodas. As informações do mundo vêm através das gentes que chegam,grupos artificiais.” Enquanto digita a matéria para publicar, Cristóforo ouve o saxofonista Ornette Coleman. Pensa: “Ainda experimentarei estes sons com mãos e dedos”. Na tela do monitor, como milhos catados, letras, palavras e frases de Aldo. O jazzista Coleman entra numa pausa, quando Rosa abre a porta de leve, e o chama para um cafezinho. Oito e pouco da manhã, depois do afogadilho dos últimos dias do ano e do outro que desnace.“E, daí, penso noutras cadeiras de rodas, tronos de autoridades, desde a menor à maior. As cadeiras do poder não passam de cadeiras-de-rodas, de onde se ouvem as reivindicações dos grupos artificias, que se aproximam delas. Cadeiras que veem o mundo pela ótica desses grupos privilegiados.Buscam a proximidade do poder, para seu próprio benefício, e escondem, escamoteiam os problemas da maioria, do povo. Colocadas em lugar de difícil acesso, não se chega a elas pelos caminhos comuns e os próprios pés. Traduzem o ponto final de um labirinto, que só pode ser percorrido com o auxílio de guias especiais, fora dos chamados canais competentes. Estes existem para despistar incautos. Apesar de todas as vantagens, de toda a vaidade alimentada, de todos os confetes da eterna festa, os com um mínimo de bom senso, mais cedo ou mais tarde experimentarão os sintomas do doente sentado em sua cadeira de rodas." (Continua)