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INVENTARIANDO Sei que me iludo facilmente, enquanto meus catorze originais não viram livros. O número não é só cabalístico, mas, por vias tortas vou escrevendo para os blogs e Twitter. Blogs ipansotera (três), blogspot.com e Twitter, todos ipansotera. Esta palavra, por mim criada, ficou emblemática, como se diz. Pela primeira vez a escrevi na pintura “O Homem da Testa Partida”. Há cerca de doze anos publicam-me no Jornal Livre, de Atibaia. Aqui, um forte afeto movente, o jornal é do meu irmão. A linguagem dos tuítes me fascina. Eu precisava de um estímulo para exercitar o “redigir é reduzir”, de G.W.G. Moraes. Aforismos da razão e da intuição. Aliás, sempre fui meio cubista no que escrevo... Fragmento e colo. Agora é só compactar em textos descontínuos, subprodutos do Twitter. Na última curva de uma existência vou trabalhando com velhas imagens de pinturas, desenhos, fotos, esculturas realizadas a partir do fim dos “anos dourados”. Meu currículo cresceu graças ao gravurista Paulo Cheida Sans, a quem devo muito como realizador visual e performático. Há um velho/novo também, já que nada que se faz em arte é original genuíno. Hoje transito de Duke Ellington a Miles Davis e Chick Corea. Escrevo ouvindo-os. Brinco com violão, cavaco e voz, de forma despretenciosa. Leio muito, atraído por Jung, Inácio Ferreira (espírito), Pondé (agnóstico), João-Francisco Duarte Jr. Me interesso por futebol (José Miguel Wisnik, Tostão), música brasileira (dos clássicos Noel Rosa e Cartola a João Gilberto e Chico), grandes escritores, como Tolstói, Jorge Luis Borges. Toda citação surge de uma garimpagem. Quem colhe não é tão fértil quanto o trigo colhido. Talvez, meu melhor exercício é com os Cadernos do Beiral, vinte e três até agora, nestes dez, quinze anos, cerca de 10 mil páginas... e os blogs. Dos Cadernos, um livro publicado, graças à amizade dos sensíveis Daniel Choma e Tati Costa. Cinema é uma praia (“Cinema com Pipoca”, outro livro editado pelo amigo Márcio Zago/Garatuja). Aqui, nesta redação, curto inventário em que vou me conhecendo, e minhas “palavras bailarinas”, observação de um leitor da web, que me envaideceu.
Escrito por Euclides Sandoval às 08h04
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ARTE EM ÁGUAS PROFUNDAS Chuva de vídeos na 6ª Bienal do Esquisito
Desta vez, a experiência da Bienal do Esquisito foi ainda mais inusitada. Espaço de expressões, ascendência e descida, quem sabe? Senti que é um evento para quem participa, mais do que aos que estão ali na busca só do prazer. A base da mostra é conceitual. Lidar com possibilidades de possibilidades não é fácil. Para a curadoria ou se abrem as portas de múltiplas linguagens ou se chove no molhado. Ao usar o sentimento do gostar e do não gostar você estaria sufocando o próprio pensamento. Talvez “sensação” e “intuição”, da búsola da mente, estejam preteridas também. Desde os “objet trouvé” e os “ready-made”, do dadaísmo, para não voltar mais no tempo, tudo pode valer em arte. Questão de contexto? Agora, amontoar isso, além de uma prolongada sessão de vídeos, é para espíritos fortes. Até que ponto se fere o timing da festa (movimento temporal mais adequado para o fruidor). O epíteto “esquisito” soa como uma “obra aberta”, onde inúmeros estímulos e elementos teriam lugar na arte contemporânea. No caso da Bienal, o aprazível, ou o que se vê como instigante, pode até ir para o limbo do esquecível. Faz parte, ser esquisito e esquecível... A pessoa, ao estar ali na Bienal, por pura fruição, disposta a tudo aceitar... Afinal não somos, por mais avançados, tão puros assim. Arte aceita mil experiências até a de um murro na testa. Sei que um dos problemas estaria na intelecção de que esquisito abrange todos os motes. Da pura ilustração literal, a toques que tangenciam o tema “acéfalo”. Observar o mundo de possibilidades das mil e tantas definições do que é arte, pode ser tão cansativo quanto vivenciá-las, praticando ou visando o espetaculoso. Só sei que um pouco de timing tenderia a facilitar o aproveitamento das linguagens e dos materiais de nossa abrangente sensibilidade. Por certo, não tão abrangente assim. Esquisito, instigante sim. Difícil para o público – eu parte dele – lidar com as próprias frustrações.
Escrito por Euclides Sandoval às 10h17
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ACREDITAR PENSANDO 
Diferentes estados de espírito: fantasia, realidade, transcendência. Presentes em nossa vida. Imaginamos coisas, sentimos os pés no chão. Chegamos a perceber que o espírito é também real. Dizemos “gosto, não gosto”; escrevo o que me vem à mente; experimento a sensação da caneta no papel ou os dedos nas teclas do computador; intuo que minhas palavras podem despertar interesse ou não. Na mente temos uma bússola. Ela aponta para o sentimento, o pensamento, a sensação, a intuição. O que nos move?... Fantasia, realidade, transcendência? Negar esses estados é o mesmo que falar: “passo na vida em brancas nuvens”. É como se sofresse de um aleijão. O contrário é uma equilibração psíquica, quando os pontos da bússola são percorridos de forma homogênea. Você toma consciência de estar usando os sentidos materiais (olha, ouve, pega e cheira): exerce uma “fé raciocinada” (existo porque penso); intuo coisas (fora de um raciocínio causal); escolho caminhos (avalio ideias, situações, seres, pessoas). Aqui eu teria uma personalidade plena.
Escrito por Euclides Sandoval às 11h11
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Quadro ES "Homomachine"
SER OBRIGADO OU SE OBRIGAR Sinto que as coisas vão ficando cada vez mais assistemáticas. Choque entre o que se deseja e as exigências do dia a dia. O que não se programa parece prevalecer. Não tendo mais quem me paga, tempo de horas marcadas, chega o momento do lazer. Na vivência familiar ocorrem compromissos previstos e eventuais. Não ser “obrigado” mas “se obrigar”, aspiração natural de quem se desemprega. Sempre há clareiras de liberdade. Banheiro, quarto de dormir, até limbos de quinquilharias, para se fugir ao sufoco dos comportamentos esperados, e fazer arte. Querer trabalhar na busca do que não se revela, em momentos utópicos de criação, provoca o desejo de ocupar espaços de exclusiva frequência pessoal. Isolar-se numa torre subjetiva ou real? Ir para uma ilha deserta, mas habitável? Sem o atrito das tensões, por certo se cairia numa estúpida apatia. Por falta de atrito, a máquina não anda. Que tal, atualizar o imaginário no próprio metro quadrado. Vivo, potencialidades em prontidão, a despeito de qualquer idade, privilégio inafiançável. Há imagens sonoras, visuais e odores. No meu caso, com as pessoas que amo, ainda que com poucos amigos de esporádica presença. Relações de troca afetiva de tempos a tempos, algo de energético a despertar o instinto gregário. Um mínimo do que se pretende realizar em termos de arte, e, pela idade, avanço na espiritualidade. Troca de bens subjetivos e materiais, a fortalecer o que o humano tem de mais digno e memorável. Dentro de uma opção de vida, este pode ser o caminho.
Escrito por Euclides Sandoval às 12h00
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Do meu blogspot.com
 
ALMA SECRETA Guardo coisas ou as mantenho largadas. Significados chegam a aflorar. Eu me surpreendo muitas vezes face às formas trabalhadas. “Objet trouvé” ou “ready-made”, composições a adquirirem personalidade. Lixo e entulhos, sucata, aguardando a fantasia do momento. O resultado pode ser algo sério e puro. O objeto, até exaltado de maneira mágica. Como dizia Kandinsky, “tudo possui uma alma secreta, que se cala mais do que fala”. Meu interesse tem a ver com minha “sombra”, conteúdo psíquico projetado. Resulta daí uma coisa abstrata, ou algo concreto, plenos de vitalidade. Perde-se o caráter de substância, o objeto adquirindo uma expressão simbólica. Expande-se para além dos limites de sua aparência. Significa mais do que o que vemos exteriormente. Parece que o objeto é portador de forças maiores que ele mesmo. Sei que a gente tende a preencher o inexplicável e o imponderável com os conteúdos do próprio inconsciente. Composições sonhadoras da realidade. (Foto: Miniatura dos meus cajados)
Escrito por Euclides Sandoval às 12h43
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Vai acontecer a 6ª Bienal do Esquisito do Núcleo de Arte Contemporânea Olho Latino. Sempre um tema a desentortar. Desta vez: “A face oculta de um acéfalo”. O sentido expresso literalmente: Acéfalo é quem não tem cabeça. No figurado, trata-se de sujeito “sem inteligência” ou “sem chefia”. Paulo Cheida Sans, curador das bienais do Esquisito, fala num enfoque sobre a inexistência do óbvio na sociedade. As bienais do Olho Latino sempre se restringiam a um só espaço expositor. Desde a última que se pode participar em qualquer lugar, apenas seguindo algumas determinações. O curioso é o ícone de um chapéu com o número 6, ao lado da obra. Entre no site do Museu Olho Latino (link na coluna da esquerda), para maiores detalhes. Como de outras vezes, recebo o toque instigante da proposta. Em geral, as pessoas giram dentro da esfera da obviedade. Descartes já denunciava o bom senso, como a coisa mais bem repartida deste mundo. Nelson Rodrigues, nosso grande dramaturgo, falava que toda unanimidade é burra. A arte contemporânea procura desmontar a obviedade. Há atitudes e formas de ação, obedientes a valores e padrões sociais, o “politicamente correto”, o agir por reflexo condicionado, a repetição de comportamentos dos aceitáveis aos ilícitos. E vai por aí. Ao tomar banho duas vezes no mesmo rio, as águas são diferentes e a pessoa também. A arte contemporânea enfatiza a necessidade de transformação do que é comum, cujo significado se torna obsoleto. Na história da arte, cada movimento acrescenta algo para que o pensamento e a sensibilidade não se acomodem nos “quimicamente iguais”. Estes, os cadáveres. A bienal no Victor Brecheret, Atibaia, SP. Abertura em 5 de maio, próximo, às 19 horas. Inscrições de 2 a 20 abril.
Escrito por Euclides Sandoval às 20h19
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Tweets 1h Euclides Sandoval @ipansotera Praticamente, com horas livres, para fazer o que quiser, pode-se entregar a uma rotina mais enervante do que quando assalariado em uma empresa. A rede social na web, por mais superficial que sejam as relações, mostra que não estamos caminhando às escuras. Predominam os afetos, e isso já é algo. Condicionar-se a um estado de descrença, pode ser uma espécie de “tapa olho” de uma sensibilidade que extrapola a “vida atual dos fatos”. Não acreditar na supra-sensibilidade é uma “burrice homérica”. Desde que a dúvida seja metódica, não cética, pode-se abrir novo caminho para o crescimento pessoal. Não acontece maior desbravamento no cipoal que dificulta a autorrealização se a pessoa não cuidar da própria espiritualidade. Nossa consciência não se cria a si mesma, mas emana de profundezas desconhecidas (Jung). Há coisas que não se explicam... Apenas intuímos. Existe uma obsessão por fascinação, antes que se transforme em subjugação.
Escrito por Euclides Sandoval às 08h05
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Aos amigos que me lembraram no facebook Não se faz literatura e arte, sem “desapertar pra esquerda”. Sei que se trata um pouco de egolatria, nas escolhas solitárias, mas compensa sentir que o maior desejo foi e é o de compartilhar. Tirar o melhor da gente para quem merece afago por ter estado em nossa órbita, ou por ela passado. Lampejos de uma luz amiga pelo pouco que realizei sempre visando mútuo crescimento. Uma energia revigorante emana de amizades e lembranças. É como se caminhássemos juntos pela mesma espiral, num sentido ascendente. Sensação de que aprendemos com fraquezas, mas o regozijo maior vem do afeto recebido. Cada aniversário, como dizia Rubem Alves, é um desnascimento. Vida é ir para a frente e voltar... sempre. Amizades que retornam, um privilégio. É o que senti com tantos cumprimentos. Continuamos aí, num todo de abraços.
Escrito por Euclides Sandoval às 16h27
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Na linha do "lixo extraordinário"
Ainda bem que existem cavernas. Ou banheiros, áreas escatológicas, espaços sombrios de laboratórios, outros em que se amontoam quinquilharias e lixos recicláveis. Isso é para intelectuais circunspectos, quem se isola para pensar e criar. No mundo do consumismo supérfluo produções elogiosas chegam a nascer de limbos memoráveis.
Escrito por Euclides Sandoval às 12h44
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Tweets 1h Euclides Sandoval @ipansotera
Escrito por Euclides Sandoval às 10h04
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PARAÍSO EXISTE? A busca da felicidade, como se dela fizessem parte estabilidade e segurança, tende a ser uma meta comum das pessoas. O modo de atingi-la possui cores diversas. De forma consciente ou não a busca utiliza meios os mais variados, subjetivos ou palpáveis, afetivos ou racionais, concretos ou abstratos. Em geral, acumular vantagens que nos tornam indivíduos protagônicos felizes gera comportamentos diversos. Ser feliz faz pensar em síntese, curas absolutas, soluções fechadas... O quê as ideologias religiosas ou não prometem. Atitudes estão na escala do amor e da rejeição do outro como colaborador, amigo ou alguém a ser desprezado. O mundo que você aceita ou não. Violência e guerras têm a ver com partidos e torcidas institucionalizadas (as que defendem e lutam por um nome). E o “nome” nunca é a coisa que procura representar. Espécie de patriotada, quando calhordas se escondem. Ao amar o seu espaço ou nação, você não tem necessidade de estar batendo a mão no peito, nem de erguer o braço em gestual fascista. Basta o coração senti-lo. O vaivém é a dualidade em que a vida flui. Imagine que, além da dimensão terra-a-terra, existe outra. Nela, felicidade não representa o que é estável e imóvel. Nada a ver com nababesco repouso, paraíso de anjos serviçais. Num cotidiano de deveres e direitos, a “consciência de fatos” tende a gerar ansiedades e angústias que chegam a causar sufocação. Acumular bens, subjetivos e materiais, camisa de força a torturar. Então, a saída seria enfrentar e superar o vaivém existencial? Lutando para que deixe de ocorrer o que tanto nos constrange? Não existe receita para consegui-lo, por maior que seja a doutrinação. O que nos parece importante é alcançar a consciência dessa oscilação. Ir tornando cada vez mais claras as nuances do vaivém. Como as coisas acontecem, e nossa participação de sujeito naquilo que reprovamos. O processo é mais intuitivo do que racional. Exige transformação pessoal. É grande o papel do inconsciente. Necessário ir abrindo a mente (psique) para atingir outros níveis, fora do “sonho d´ópio”. Este chega a ser de uma estabilidade passiva, mórbida, falsa felicidade. Não. O alvo que se propõe corresponde ao “estável móvel”, em níveis progressivos. Algo mais sentido do que entendido racionalmente. É quando vamos nos firmando numa solidariedade amorosa nos trilhos da individuação. Aquela semente que chega a virar árvore adulta.
Escrito por Euclides Sandoval às 23h14
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 Tudo a partir de nós. E não se trata de egocentrismo. O ponto de vista é o da “individuação”. Processo através do qual um ser torna-se uma individualidade autônoma e indivisível, uma totalidade. A semente que vira árvore adulta. Trata-se de autorrealização. Nada definido e fechado, ou seja processo, começo continuado. O que há de mais pessoal e não admite comparações, encontro consigo mesmo. Não é um simples “eu”, inclui o universo. Surge um “enredo” essencialmente diferente do que o costumeiro de nossa consciência. Imagine o que você pensa e sente numa dimensão, passando para outra. Aquilo que podemos chamar de “nível mais móvel e mais estável”. Ocorre um vaivém constante, de uma dimensão para outra. Do terra-a-terra para o que transcende. Negar a transcendência (metafísica) seria supor que existe outra coisa que vai além da nossa “consciência de fatos”, essa de todos os dias. A “consciência de fatos” é a que tende a criar ansiedades e angústias, a que vive quantificando e nos sufoca. A que nos faz acumular, duvidar e ter medo. A que gera expectativas e nos afasta do “outro”. O outro sou eu, condição para que o amor se propague sem ser a letra morta conhecida. Não que a gente vai superar o vaivém, a ponto de o vaivém deixar de acontecer. O que importa é alcançar maior consciência sobre essa oscilação. Isso, mesmo sem o domínio ideal a respeito de nossa capacidade compreensiva. Tal ocorre durante o período de sono. O processo de individuação não depende de nossa vontade racional. Você o intui, quando está ocorrendo, além de perceber mecanismos que fazem com que ele flua. Crescer não exige fórmulas, nem receitas. Não implica em aprendizagem escolar, aquisição de certos conhecimentos. Dá para entender?... Se abrimos a mente ou “psique” (totalidade), com a perspectiva de que há outros níveis “móveis e estáveis”, em que nos sentimos mais solidários e amorosos, essa atitude nos movimenta nos trilhos da individuação, ou seja, do crescimento pessoal. (Desenho A. Mellim)
Escrito por Euclides Sandoval às 08h21
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ENCONTRAR, PROCURANDO Nossas verdades são mesmo verdades ou racionalizações de desejos? Em minha última estada em Florianópolis fiquei conhecendo um instrumento primitivo, dos aborígenes australianos, segundo me informaram. Tão simples que, ao voltar ao Beiral das Pedras (Atibaia), já construí três. Até as crianças curtiram. O nome dele: digeridô ou “didgeridoo” (esta, talvez, a forma mais correta). Para outros dados, pesquisar na Internet (há inúmeros vídeos sobre esse tubo em que você sopra). Numa atitude do tipo “busca de origens” intuo o que é mais simples e essencial. Aquilo que não depende do que se aprende em escolas. O mais espontâneo e menos racional. Sei que temos um sistema instintivo pré-formado e sempre ativo, característico do homem. Muito antes de uma consciência reflexiva. Qualquer aprendizagem deveria ativar, principalmente, sistemas instintivos, cujo arquétipo já trabalha no inconsciente. Parece que o inconsciente tem a capacidade de analisar e concluir, da mesma maneira que o consciente. Nas pinturas que faço, costumo encontrar o que inconscientemente procuro. Invento? A própria palavra “inventar” vem do latim invenire, e significa “encontrar”. Encontrar, procurando. Já escrevi sobre o processo em que me parece haver uma previsão inconsciente do que acabo achando. Ações que a gente pratica sem se refletir nelas. Fausto, de Goethe diz que no começo era o ato. Característica é a fusão que realizo entre arte e vida. Embora tenha participado de algumas exposições temáticas, prefiro retrospectivas em que não me detenho em “receitas” pré-concebidas. Cada obra que realizo se relaciona com momentos vividos. Meu didgeridoo
Escrito por Euclides Sandoval às 15h55
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O FUTURO, AGORA
Sou semente do que realizei, e o que realizei volta a ser semente. A sensação de criar é quando você dá de si integralmente. Aí, permanece semente. Semente é a potência, projeto do que adquiriu existência. O criado confirma o criador. Nesse “agora contínuo” é como se não houvesse nem passado, nem futuro. O futuro fica definido no agora. Ao confirmarmos o futuro, no agora, o passado torna-se ilusão. Nosso rumo passa a ser de uma consciência superior, que se expande. A base é o amor. Ele se movimenta pelos trilhos da compreensão. A comunicação passa a ser com energias multidimensionais. É quando se caminha para níveis cada vez mais móveis e estáveis. Imagina-se felicidade como algo completamente estável... Nada mais errado. O estado feliz encerra alta mobilidade. A existência do amor... Amor pelo amor, para o amor e com o amor. Há outras dimensões de vida, cada vez mais etéreas. A atual tem dificuldade em se locomover nos trilhos da compreensão amorosa. Trata-se de um horizonte para todos. Difícil concebê-lo por ser simples e original. Tem a ver como o mencionado “agora contínuo”. Se a gente falar numa “nova Terra”, em “5ª Dimensão” ou em “evento cósmico”, isto sugere utopia. É como passar da Terra em 3D para outra em 5D. Por enquanto é só imaginar que podemos, temos potencial (a semente) para concretamente melhorar a nossa existência. Só com amor o conseguiremos. Sei que a operacionalização do amor inclui inúmeras variáveis, muitas a serem descobertas neste mundo utilitário, consumista, assinalado pelas vantagens materiais. Expandir a consciência é condição para sermos mais cooperativos, solidários e amorosos. Observem que não falo desde logo em amar o próximo. Amar a si mesmo, sem o quê difícil a gente se perceber na pele do que está fora de nós. Pertencer ao todo, respeitando a natureza como berço da vida. Natureza inclui mundos, como o planeta que habitamos e o cosmos. Assim como deixamos de cometer certos deslizes, numa escolha fácil e natural, por vontade própria, sem ansiedades e angústias, do interior de nosso coração a consciência se estenderá pelos trilhos da compreensão amorosa.
Escrito por Euclides Sandoval às 09h29
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O DIA DE HOJE Cedo, pego o carro e compro pão. Logo na mesa, hora do café. Vou para o computador. Transformo em tweets o texto “O Mágico Instante” (pág. 7 dos “Cadernos 23”). Entro nos e-mails. Vejo vídeos com Lisete Lobato falando sobre a relação cérebro/mente e yoga kundalini. Segundo a neurociência, não se separa mais o cérebro da mente. Digo: Doenças do cérebro acontecem quando a mente se cansou do dia-a-dia. Penso em amigos e conhecidos que começaram por ir perdendo a memória. Kundalini que praticamos, Maria e a filha Carol, há cerca de dois anos, uma vez por semana, com Tamara, é de efeitos mais rápidos do que talvez outras formas de yoga, introspectivas e contemplativas. Fazemos exercícios com a polaridade tensão/distensão. Entro no Google para outros esclarecimentos. Ele fala em “expansão da consciência”, tema que, numa sincronicidade, venho abordando em meus blogs e no Twitter. A base maior me parece a respiração, com a energia kundalini subindo pelo canal da espinha vertebral, atravessando e ativando os centros denominados chakras. Horóscopo que leio hoje na “Ilustrada” da Folha de S. Paulo, menciona o fator “tempo” e seus efeitos sobre as escolhas... Depois manda se “ter consciência”. Ter consciência e ampliar a consciência implicam, também, em tornar conscientes conteúdos inconscientes. Aqui a maior riqueza que os sonhos revelam.
Escrito por Euclides Sandoval às 20h02
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