VIRAR HERÓI? O que é modificável é a criatura Registro da própria história. No filme que protagonizei, “Herói”, de Thiago Ricarte, para o personagem agonizante vejo a igualdade como perigosa. Fugir dela com um ranger de dentes. Morre-se para o limbo, na medida em que não nos distinguimos. Vida em que houve empenho do próprio ser, nos tornamos “criatura”. Ela é mais importante do que os seres criados. Só que tudo possui individualidade e não-individualidade. Individualidade equivale a criatura. É única. Essencial. De fato, não adianta pensar nisso, nem falar nisso. Meses após a fase de edição do curta parece que o filme me fugiu da memória. Lembro apenas algumas cenas. Perdi a sequência narrativa, e me recuso a pegar o script. Nem vi, depois de dois cortes, a versão final. Agora, eu o assistirei como um espectador tabula rasa. Vai passar amanhã no festival “6º Curta de Atibaia”. Arrisco uma mensagem: Temos que ultrapassar nossa própria natureza para não nos afastarmos da criatura que somos. A morte está em sermos iguais a todo mundo. Devemos nos empenhar em nosso próprio ser.
Escrito por Euclides Sandoval às 11h36
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6º CURTA ATIBAIA
 Estamos no curta "Herói". Diogo Veronezi, Cristiano Alfer, Thiago Ricarte (diretor) e Euclides Sandoval.
Escrito por Euclides Sandoval às 11h29
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Finalmente chega a Atibaia: HeróiPróxima sexta, 27 jan., Centro de Convenções Victor Brecheret (Atibaia), 21 h. Entrada: 1 garrafa pet, vazia.
Direção: Thiago Ricarte Direção de arte: Lilian de Oliveira Assistente de dir. de arte: Isabella Bergo Produção: Rafael Sadocco Atores: Diogo Veronezi , Cristiano Alfer e Euclides Sandoval
Todos da região Atibaia Bragança6º CURTA ATIBAIA - FESTIVAL REGIONAL DE CURTA METRAGEM 2012 www.curtaatibaia.com.br O 6º CURTA ATIBAIA - Festival Regional de Curtas Metragens - oferece 15 vagas gratuitas para a oficina de "Crítica Cinematográfica" com o especialista em jornalismo cinematográfico Celso Sabadin (www.planetatela.com.br/somos.php). As vagas são exclusivas para residentes nas cidades de Atibaia, Bom J...
Escrito por Euclides Sandoval às 12h03
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CONHECER A SI MESMO Para uma volta às origens, não se precisa sair do próprio continente civilizado e civilizatório. Deixar de ser ocidental ou oriental por algum tempo, pode acontecer no mundo em que se vive. Entendo que a mudança de espaço pode ajudar. O sensorial e o sensível aceitam novas adaptações. Jung deixou a Europa, pelo período que passou na África e na Índia. Ele buscava a individuação (quando a semente vira árvore adulta), parte essencial do seu processo de crescimento. Momento em que se tornam conscientes conteúdos inconscientes. O passado no presente, sem a obsessão por limites de lá e de cá. O inconsciente, grande esfera e o minúsculo ponto que é a consciência, precisam de uma ponte que os una. Através de sonhos e vivências primordiais passamos a perceber melhor a escola da existência, o quanto desaprendemos e o quanto ainda precisamos aprender. O mais qualificável, sem categorias fixas de espaço-tempo. Sem a preocupação com funcionalidade e resultados. A gente e objetivos, uma coisa só, assim como o ter e o ser. Importa mais o não causal, linear e cronológico: a circularidade mandálica. A mandala é uma imagem, símbolo da centralização da personalidade em situações perturbadas e de indecisão. Constela um esquema equilibrador. Está acima do caos. Revela caminhos. Pessoas em crise podem desenhar mandalas (círculos em forma de olho, também quadrados). Jung o fazia antes do encontro com doentes em hospital psiquiátrico dirigido por ele.
Escrito por Euclides Sandoval às 08h53
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Ontem e hoje. Bonecos que fiz para a comédia italiana.
A ESCOLHA NOS PERTENCE Do meu livro “Antitratado de autoajuda"
Esquerda e direita, o mesmo fenômeno com diferenças de grau. Bem e mal, uma única coisa. Mas temos que optar. Relação com seres vivos e mortos, sábios ou não, nosso íntimo à frente do próprio destino. Categorias humanas do certo e do errado, sempre falíveis. Fora da atitude quietista (deixar rolar), tome uma posição. Ser recíproco e reversível (pensamento), dando maior satisfação à sensibilidade e ao instinto (inconsciente). Para ser solidário e amoroso a ação se sobrepõe ao que é racional. Ao decidir, em geral, o que decide é o que nos foi injetado pela família e cultura (escola, religião). Atingindo um grau de consciência superior, certos apelos não nos dizem respeito. Qualquer sedução e dores representam advertência e ensinamento indispensáveis. Há uma luz na consciência, dignidade cosmogônica. Se alguém conseguisse extinguir essa luz, o mundo mergulharia no caos. Para o cristianismo, o principal é sofrer, daí a esperança. A arte pode ser um acréscimo saudável, já que só viver não basta. Na filosofia oriental, o mais importante é o conhecimento e o agir; daí a certeza... Certeza na incerteza. O que é feito de minha história me dá a convicção de que eu sou eu. Sou o que estou vivenciando. Em qual relação histórica me alinho?... Eu, ou minha vida? Cada um tem o seu mito pessoal. O que me precede, e o que se segue? Quem pode responder à minha pergunta sobre o antes e o depois? Toda psicologia tem uma história. Bem e mal significariam o que é o meu bem e o que é o meu mal? ISSO É, não o fato de que isso não é ou não é mais. Necessário atravessar o inferno das próprias paixões, ou não se consegue superá-las. Algo que abandonamos, ou que permanece esquecido... para onde vai? O recalcado poderá reaparecer com redobrada violência. Ninguém se espiritualiza sem primeiro realizar o próprio carma (budismo e hinduísmo). O bem e o mal, sem contornos próprios, podem levar ao adormecimento da vontade. Não sou turista. Quero caminhar à frente do meu destino. A sabedoria de um outro, pertence a esse outro. Só me pertence aquilo que provém de mim mesmo. Viver por si mesmo... segundo o que se obtém do próprio ser interior, ou segundo o que a natureza oferece. Ela é magnânima. A figura densa de significados de um sábio não deve ser subestimada.
Escrito por Euclides Sandoval às 10h13
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O nome ipansotera

Nos meus “Cadernos do Beiral”: Diário, poemas, ensaios, registros de leituras e do vivido, o visto, o correto e a desordem. Códigos (texto, objeto, colagem, fotografia, desenho); idioma (português); estilo (do coloquial às citações); frases e paráfrases, rascunho de matérias a postar em blogs e no microblog Twitter. Um nome que é conceito: “ipansotera”. Criado no acaso-caso. Palavra que se irradiou já ao nascer. Nome concreto e abstrato, cortado e alterado de outro – psicotransoterapia. A síncope deus-se quando o coloquei pela primeira vez no quadro: “O homem da testa partida” (1994). Na pintura só cabia “transotera”. De forma involuntária, o primeiro erre virou pê e o tê, i. O sentido permaneceu oculto até que no livro “A montanha mágica”, de Thomas Mann, li sobre algo com a palavra “pan” (?): alegria e tristeza da vida. Transpus a palavra para a web e minhas ficções, recheadas de dados autobiográficos – para que o mundo me conheça. Ipansotera, nome também do grupo de teatro criado na FESB, faculdade de Bragança Paulista. Foi para a rede social (Internet)... e vai virar título de livro, promessa que me faço.
Escrito por Euclides Sandoval às 09h43
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SUCESSO É O INFERNO 
Vi o excelente “A rede social”, filme de David Fincher. Fora das badalações pelo caráter revolucionário de uma ideia, pretensa invenção no interativo social, vou refletir sobre o exagero de uma vaidade. Rebeldia cultural tem nome. Nos anos 60, 70 buscava-se outra coisa, diferente do que hoje alimenta a febre de poder (dinheiro, mercado, marketing), a qualquer custo. A principal vertente da contracultura era a autonomia individual em clima de interação social, sem os cínicos autoritarismos de hoje. Essas coisas de governabilidade e culto da autoimagem. Nem todos os caminhos levam ao idealizado, o que contribuiu para o fracasso das ideologias de esquerda e de direita. A cara da interação humana poderia ter mudado a despeito da ditadura implantada nos chamados “anos de chumbo”. A nova geração é da superficialidade eletrônica, a valorizar dedos e olhos, mais do que cabeças. O tempo, em diapasão mecanicista. Até quando perdurará essa mudança a afetar humanismo e humanidades? Brutalidade emocional e humor banal, característicos de nossa época. Hackers em novos e complexos caminhos, invadindo privacidades e a mídia que edita o desconforto geral na propagação do crime e da corrupção, pois o que se divulga, educa. Por outro lado já se falou até em “hackers do bem”, contra o militarismo. Jornalismo investigativo e cepeís viraram colcha de Penélope. Reinventa-se o bem ao remexer a massa no caldeirão das falcatruas. Dá para notar? O que ganha é a reprovável face ao melhor ser humano. Menos sentimento e esforço reflexivo, o que se propaga. Daí, o quietismo face às mazelas, pela vontade reduzida à quantificação de pessoas e coisas. Acumular contatos numa sociabilidade falaz sobre nomes acrescentados à rede atirada a águas pouco profundas. Rede que, em última análise, acaba com as amizades, o que implica em situações de verdadeiro encontro pessoal. (Ilustração: Casé, sobre miniatura catalã de 1195.)
Escrito por Euclides Sandoval às 12h21
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O FUTURO ESTÁ AQUI  Essa minha estada em Florianópolis região de mares, matas e lagos. Falar em um mar só, diminui o esplendor de um lugar privilegiado pelos deuses. Também não dá para se referir a um Deus só. Marco fundamental em minha obra literária e visual. Pântano do Sul, ilustra a noção de que se pode viver no simples, cujas possibilidades criativas e numinosas são infinitas. Predisposição nesse sentido. Devo me libertar para outros significados menos literais com relação ao que se espera. Sempre o previsível racional, é tacanhez de espírito. Revejo “ipansotera”, palavra surgida no acaso-caso. Criei o polissêmico, forte carga para a polaridade alegria/tristeza. Não se reduz a categorias fixas. Prosa, poema, figura, abstração, o linear e a circularidade... Não me interessa, ou pouco me importa o já conhecido, estático e sem mobilidade. Busco uma multilinguagem, sem fronteiras separatistas entres textos, objetos, luzes, planos. Cinegrafia de texturas, imagens, cores, superfícies, linhas. Há uma musicabilidade implícita em minha obra poético-visual, sendo que o nome não se fecha em nenhum conjunto ou sistema. A palavra... Eu sei que é o polo estético que preservo e cultivo como motor das minhas emoções. Agente, face à abrangência da imagem. Ela hibridiza toda a minha sensibilidade. Instaura um discurso, uma fala, um canto, uma música essencialmente percussiva, batuque de samba. Ação e assunto, dramática vital. Voltarei à fotografia com seus elementos composicionais: luz, cor, ângulo, corte. O movimento na estabilidade do pensamento com suas noções a caducar. À pintura, crescem as dimensões de uma vida. Linhas e superfícies, signos no arrojo dos sentidos. A experiência em transformar obras menores, pinceladas e espatuladas, tintas jogadas, amálgama de figuras em grandes telas. A nova dimensão predomina. Eis o que agiganta significados, transforma, gera nova aura. Que me perdoe Walter Benjamin. São coisas que irrompem do nada e do já feito. Acrescento outras da história do presente. É o passado agora transubstanciado. “Arte”, gênero que engloba música, pintura, fotografia, escultura... Caráter das coisas que se interrelacionam numa multilinguagem. Diferentes momentos a se articularem em minha trajetória. A erva daninha do sentido ao pé-da-letra é arrancada. Capinar positivismos e literalismos. Inseminar e disseminar metáforas. Uma linguagem é polinizada por outra. Cruzamento entre o lido e o vivido. Entre a espontaneidade do acaso e o encucado. Entre a confissão que exorciza e o jogo que esvazia e identifica, nomeando. Entre o cotidiano de necessárias repetições, do convencional, e o que nasce do imaginário. Há uma complementariedade nos polos. A composição enquanto presença, ou a reprodução que produz. A não-natureza é a arte que pode ser tão natural quanto a própria natureza. Certo que tão-viva como tão-morta. Existir na arte é transformação, e faz virar ficção. Nos meus Cadernos, palavras escritas à mão, em caixa alta, e outras, digitadas, impressas. O contexto da mão e da máquina aceita folhas avulsas de bloquinhos ou sulfite, colados. Ressonância com fotos, desenhos. Suportes de palavras como fundo e imagens superpostas. O sonoro, o visual, etc., etc. Aqui, novas possibilidades ainda não flagradas, como cores, ambientes, objetos. A escrita em maiúsculas, reforça o papel de mãos e dedos. Meu quadro “O homem da testa partida” emblematiza a associação de letras e imagens da minha história que perpassa a das artes. Aceito parcerias com gênios pictóricos e cineastas em seus melhores momentos. Sei que as horas funcionam como divisórias na memória que edita. Ao produzir este texto minha musa Maria chega com o número do celular da neta Camila: 81199139. Agora, ao digitá-lo, buzina Camila, chegando. Sincronicidade. A liberdade de misturar registros de discursos e coisas. Colo no papel original cabelos da Maria. É. A vida, e seus momentos totalizantes. O inconsciente... A ele o papel-mor. Ponho de lado os parênteses, artifício literário. Na minha soltura beletrista e imagética homenageio os Babilaques de Waly Salomão. Que ele reconheça as oportunas apropriações, nova luz a transformar basbaquices do colonialismo. Tudo graças ao clima e vibrações preciosas dos eternos companheiros Daniel Choma e Tati Costa, guardiães do Pântano. (Foto ES da janela da casa/Pântano do Sul/Florianópolis.)
Escrito por Euclides Sandoval às 11h11
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O antigo e o novo Vou aprendendo a aceitar o antigo seguindo a história do meu espírito. O “novo” na alma é uma recombinação variável de antigos componentes. Sei que o “antigo” só parcialmente se realiza. Estamos longe de ter liquidado a Idade Média, a antiguidade, o primitivismo. Lendo “Parcifal”, de Wolfram Von Eschenbach (531 páginas), eu me cansei. É que vivi lá, na alta IM. Agora, alertado por Jung, dobrarei a página 331, onde parei. O Caminho é em busca do Graal, ou seja, da individuação. O progresso chega a nos arrancar das próprias raízes. Viver mais para o futuro, pelas promessas quiméricas, leva a descontentamento e agitação. Não queremos compreender que o melhor é sempre compensado pelo pior. Brilhantes descobertas da ciência nos expõem a terríveis perigos. Processos de economizar tempo, infelizmente tendem a precipitar o ritmo. Aí, cada vez, o tempo encurta. Contribuímos, com todas as nossas forças, para arrancar o indivíduo de seus instintos e de suas raízes. Toda pressa vem do diabo, costumavam dizer os antigos mestres. Que tal fazer um uso moderado da mídia e de todas as inovações feitas no sentido de se ocupar o tempo. Com os olhos semicerrados e os ouvidos amortecidos daria para ver e ouvir as formas e a voz do Ser? Como não buscamos uma verdade eterna, fazer perguntas. (Foto: Sítio dos Tucanos/Florianópolis)

Escrito por Euclides Sandoval às 19h43
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ARTE, SEXO, MANDALA Meu caminhar, em geral, é uma deambulação em torno do centro que é o conhecimento de mim mesmo. Quadros de maiores dimensões... Amontoando-os eu me sinto cercado e espremido. Sensação até de carinho recebido pelas imagens. Elas contêm histórias. A libido sexual não nos abandona com a idade. Sonhos que o digam. Imagino filmagem – eu no centro – como numa mandala. Eu, árvore solitária em ilhota resplandecida pela luz do sol. Outra imagem, já registrada: Minhas pernas rodeadas pela edição de um ano (1980) do jornal que criei. Eu, em pé. Mandala: Caminho que conduz à individuação (Jung). Fazendo artes e literatura, o desenvolvimento na autocompreensão não é unívoco, mas circular. Abandonar totalmente a ideia da soberania do eu. Eu, face às imagens que o inconsciente ajudou a forjar. Escrever, outro caminho para o autoconhecimento. Fixar imagens, também ampliando-as, para onde me leva este processo? Qual a meta? Nova maneira de ver e me relacionar? 
Escrito por Euclides Sandoval às 11h02
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Religião Por vezes devemos ousar um passo no escuro. É quando coisas essenciais podem se decidir. Imaginem começar a classificar as pessoas segundo a fé que professam... Isso merece desaprovação. O ensino de que há uma única fé verdadeira é perigoso por gerar atitudes fundamentalistas... e até sinistras. Ser cristão crente, uma raridade. A gente ouve: “Sou assim mas não pratico”. Há os que pegam a religião como tábua salvatória, aquilo de que precisam para casar, etc. Pessoas bem formadas do ponto de vista da escolaridade, e muito reflexivas, chegam a ter uma crença. Sem alimentar uma ideologia fechada, você pode crer em coisas como, por exemplo, a lei da sincronicidade, a manifestação de espíritos... Mas não impor isso a ninguém, nem a Freud. Certas celebrações afirmam origens distantes. Nelas podemos ter algo dialético... O ensino religioso obrigatório não é legal. Pode tornar as pessoas indiferentes ao que está além da vida atual dos fatos. Fora de uma atitude numinosa pode-se ensejar até fins sinistros. A obrigação imposta para que se tenha determinada crença chega a tornar as pessoas entediadas. Liturgias são poderosas demais. Você acaba afirmando qualquer coisa. E isso pode ser utilizado para o que há de pior. Muitos crescem sem qualquer conhecimento sobre o que tratam as crenças. Aprender sobre religiões é outra coisa. Você não fica tão à mercê de qualquer seita ou guru. Há especulações criacionistas e pseudocriacionistas, além do darwinismo e conhecimentos alternativos. Pense nisto.
Escrito por Euclides Sandoval às 17h30
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(Para o Jornal Livre de janeiro de 2012) PENSAMENTOS DAQUI E DALI
Como criatura, não sou só eu, mas tudo o que existe. Atitude taoísta da arte de sentar e esquecer. Diante do mar, chova ou faça sol, eu me sinto assim. A mente não somos nós. Mar: “o pão do espírito” (Hélio Pelegrino). Para meditar, a recomendação é se esvaziar de si próprio. Desidentificar-se da mente. Ciência, religião, amor, intuição estão entrelaçados. Somos uma totalidade que integra estes campos. Morrer é transvivenciar. “A intuição é uma ciência que não foi à escola” (Millôr Fernandes). A ciência não é só resultado de escolaridade, de laboratório. A vida precisa errar para sobreviver. O oxigênio é letal, por uma série de propriedades. Casas na beira da praia confirmam isso. Ele é corrosivo. Nossos comportamentos são muito mais arraigados do que as nossas ideias (Frei Betto). “O amor fecunda o universo” (Frei Betto e Marcelo Barros). Marcelo Gleiser: “Existe uma espiritualidade crescente com relação à proteção do nosso planeta”. Todos precisamos de um calço na vida. O meu é a família. Frase de Marcelo Gleiser que, em especial, me toca: “A física reabraçará de vez a metafísica”. (ES)
Escrito por Euclides Sandoval às 10h04
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UM OBSTETRA NO PALCO Depois de gente importante do teatro falar sobre Sérgio Britto, quem conviveu por longo tempo com ele, como fico eu? Período curto em que tive o privilégio de conhecê-lo. Trabalhamos juntos em “Os Interesses Criados”, de Benavente, no TBC, eu fazendo pequeno papel. Anos 50. Naquela época eu me nutria de teatro na PUC-SP e interpretava monólogos shakespeareanos em eventos culturais. Aprendi com Sérgio a pensar em teledramaturgia... Uma primeira experiência não bem sucedida. Gerado um suspense, em seguida tudo modorrento demais. Ele, então, me sugeriu adaptar “O Pai Goriot”, de Balzac. Fui bastante fiel ao texto, com o precioso apoio desse intelectual denso e profundo que era o Sérgio. Conversávamos sobre atuação dramática, inclusive em cinema. Criticou recente filme soviético pelo exagero expressionista. Ele não acreditava no cinema brasileiro, nem no argentino. (Hoje, teria outra opinião, por certo.) Ao lado da experiência do TBC eu vivia teatro na faculdade, onde estudava filosofia, aluno dos menos interessados no curso. Levei Sérgio para ver o ensaio de duas peças em que eu atuava e dirigia, tal o seu desvelo em ajudar neófitos como eu. Quando no TBC, ele também fazia teleteatro, sendo o idealizador do Grande Teatro Tupi (RJ) para o qual fiz a adaptação de “O Pai Goriot”. Sérgio Britto deu a entender que contribuía para a formação de um novo adaptador para teleteatros. Ironizou com a abundância dos “ohs!”, do livro, e que pus na peça. Um trabalhão para os atores. Precisava de mais gente para encenar, ele contando já com seu pequeno grupo de atores na ponte aérea. Depois da temporada de “Os Interesses” perdi o contato com Sérgio, sem saber se “O Pai” foi para o ar. Já homenageei este grande homem do teatro no meu blog, antes do seu desencarne. Médico obstetra que preferiu a carreira de ator. Faleceu dia 17 passado. (No blogspot.com pus a imagem de Sérgio Britto com o cabelo esverdeado, cor alquimista.) 
Escrito por Euclides Sandoval às 22h42
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A PALAVRA QUE FALTA Aquele meu jeito de devolver o que leio ou escuto. Lembro Julian Marias e Lauro de O. Lima, quando deram a entender que se forem pôr aspas no que sorvem, quase tudo exigiria nota de rodapé. Fica algo muito acadêmico. Vamos lá. Estética não é só sensibilidade, mas sobretudo espiritualidade. Existe uma maravilhosa comoção para a qual o entendimento não tem conceito e a linguagem não tem nome. O pensamento é de Schiller, talvez com outras palavras. A frase anterior poderia estar entre parênteses. Estabelecer o elo entre o intelectivo e o sensível... A zona intermediária é o estado estético – o médium. É que estendo o termo sensibilidade (estética) também para outro – espiritualidade. Evitar esta palavra pela conotação de seita, religião? Ela não implicaria em abertura face ao preconceito? Suprimir ou pôr de lado o termo tem a ver com perda de maior autonomia, liberdade? Acredito que o caminho para a verdadeira moral, baseada na liberdade, inclui a noção de espiritualidade. Assim se partiria da totalidade de caráter, a sensibilidade e a espiritualidade. Empatia com o objeto estético e fenômenos espirituais além de, ao mesmo tempo, manter saudável distância. O problema são as mistificações¸ os fundamentalismos. Nem todo fundamentalismo é censurável. O problema é se querer impor comportamentos. Aqui o emotivo e o contemplativo. Penso que no desenvolvimento do estado que intermedeia o existencial e o espiritual, essa capacidade de aproximação e afastamento precisa ser levada em conta. Fora da espiritualidade não se está completo. Fora da espiritualidade... É o medo!(Postado no blogspot.com)
Escrito por Euclides Sandoval às 08h56
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Observo que a página aberta do blog deve ser vista - caso haja preocupação com o sentido sequencial -, do final para o começo.
Escrito por Euclides Sandoval às 16h58
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