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TWEETS (Escrevendo com 140 caracteres)

 Como lhe soa ouvir falar em “expansão da consciência”? Qualquer coisa que seja essencial vem de um nível mais profundo.

 A física moderna chama de “campo unificado” essas coisas essenciais.

 Ao expandir a consciência podemos mudar a nossa vida, concentrando energias criativas.

 Tenho realizado autorretratos (fotos, pinturas), me sentindo um tanto intrigado... Seria só narcisismo? A compensação é que possuem história...

 Sobre autorretratos, na atual mostra fotográfica do Itaú Cultural alguém comenta: O autorretrato possibilita um entendimento do mundo através de si.

 Buscar o sentido do mundo e da vida é algo que venho perseguindo.

 Como e quando fazer desaparecer a negatividade?

 Pegar ideias quando chegam até nós. Qualquer uma, por mais banal, pode ser fonte de criação.

 Costumo ler mais de um livro ao mesmo tempo: “A Dança do Universo” (Marcelo Gleiser); “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota” (Olavo de Carvalho); “Em águas profundas” (David Lynch).

 As pessoas realmente sabem mais do que pensam que sabem.

 O ideal é que a gente faça aquilo que ama. É assim que nos abrimos para o inesperado.

 Ver cinema em casa é como momento de oração. Chego a imaginar uma capela para assistir a filmes. 

 Ler literatura de ficção, romances, uma necessidade. Ajuda na compreensão do mundo complexo em que vivemos.



Escrito por Euclides Sandoval às 10h44
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O SUPÉRFLUO NECESSÁRIO

Vi um filme que detestei, mas retrata a atualidade. Não obstante o anúncio de obra merecedora de prêmio de edição, achei-o fraco. Pretensão de fazer arte sem ser linear, o fluir inicial desperta interesse. Os tipos humanos são mesquinhos, péssimos pais... Desses do chicote e do amor banal, preparando filhos para a soma de prazeres. Para ser feliz tome este refrigerante, calce este tênis, vista esta roupa... Trivialidades nos diálogos. Gente criminosa, um religioso superficial, casais desequilibrados que se chantageiam afetivamente (dos que fazem tipo), policiais inconsequentes (preparados para uma violência de ponta), políticos vaidosos (aproveitadores de situações para se mostrar), esportistas em jogo violento e idiota pelo pobre significado. O ser humano como “massa de manobra”, multidão no hipnótico estado de entretenimento. O emocional instintivo das torcidas, não tão prontas para o que der e vier. Um único sujeito, postado à grande altura, com sofisticada arma de fácil aquisição num país poderoso. Isso sem pensarmos no que seria a racionalidade ideal. De ideal, só a divina.  Os acontecimentos – embora o filme exalte a qualidade do roteiro – todos os desfechos telegrafados. Gente medíocre se destaca como representante de uma cultura em crise. Simboliza as parcelas de uma população fixada em dinheiro, sucesso, oportunismo, consumo, todo o tipo de prevaricação (inveja, ostentação, ódio e sedução entre as pessoas). Crianças educadas para consumir o artificial. A compra de afeto, relações num emocional, fácil e rasteiro, para não dizer só burrice. Violenta partida de rugbi (quem pratica melhor a destruição do adversário?). Jogo que não é o jogo da pureza lúdica, quando você conscientiza moralmente as próprias ações. Matar ou morrer, a tônica. A alta tecnologia presente está longe de preservar vidas humanas. No caso, noventa e um mil torcedores. Partidas são situações em que as pessoas estão partidas. Aliás, o clima geral do filme pode ser uma metáfora da política hoje praticada. Prevalecem interesses de poder concentrado em minorias, de compra e vende, mais do que aquilo que se distribui num ato coletivo e solidário. Este, o humano da reciprocidade (sentimento do “nós”), da cooperação (coisa partilhada para o bem comum), da empatia (sentir o que o outro sente), da reversibilidade (pensar o que o outro pensa). O final atesta o que se espera de uma sociedade rolo compressor, cínica ao culpar o outro por possuir armas iguais ou semelhantes às de quem condena e que não se vê no espelho da casa. O outro não pode ter mais ou o mesmo poder que eu tenho. Nesse thriller, tudo desencadeado por um demente pronto a assassinar, sem que se saiba quem e para quê. Aliás, público e jogadores irmanados na sanha de uma competição que advoga a morte de qualquer um. O filme: “Pânico na multidão”, jogo entre os times Los Angeles e Baltimore, num memorável coliseu. Na embalagem da banca de jornais não tinha nem o nome do diretor (assim começa a manipulação). Gosto de filme de ação quando o elenco é bom e não se abusa de efeitos especiais. Neste constava o ótimo John Cassavetes, como ator, e Charlton Heston, figura menor mas atraente. Melhor esses nomes do que anunciar diretor desconhecido. Vi o filme num acaso. Tiro n’água, valendo pela tomada de consciência numa sociedade erotizada, onde entretenimento é sinônimo de cultura. Multidões são acéfalas e quando torcidas em estádios as coisas tendem a descambar para o pior. Pior mesmo foi a hecatombe do final. Como diz Eugênio Barba, há muitas maneiras de Deus falar com a gente quando quer ser anônimo. Poucos filmes são atuais como este “Pânico”. Até programa televisivo traz o mesmo nome. No caso, é para rir.   



Escrito por Euclides Sandoval às 11h52
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RAZÃO E SENTIMENTO

Há certas leituras que podem nos intrigar. Por demais lúcidas, técnicas ou científicas levantam fortes barreiras para a sua compreensão. Principalmente para um leigo em ciência como eu. Costumo insistir nelas, pouco assimilando, claro. Tem me interessado o lado mais filosófico que extraio das fímbrias dos textos. A sensação é a de que se trata de um contato  impressionista, até de esvaziamento meditativo. Indago ao que diz respeito à minha busca para entender sobre o mundo, a vida e gente como nós. O professor de física e astronomia Marcelo Gleiser tem se dedicado a uma pesquisa e estudos sobre o “mistério da Criação”. Ele procura explicar, de acordo com a ciência moderna, a origem do Universo. Vou aprendendo que teorias científicas e mitos religiosos não estão distantes entre si, como imaginamos. Lembro os filósofos pré-socráticos, também citados por Marcelo, com preocupações semelhantes às do autor de “Criação imperfeita” e “O fim da terra e do céu”.  Li estes livros, além de uma entrevista bem palatável com ele, Frei Betto e Waldemar Falcão: “Conversa sobre a fé e a ciência”. Eu recomendo este papo incrível antes do mergulho nos outros livros já citados. São três posturas alinhavadas com inteligência e sensibilidade. Agora estou acompanhado de “A Dança do Universo”, do mesmo Marcelo. Consigo perceber aí certas direções, sugerindo uma ordem espiritual e divina. Olha que belo objetivo: Libertar-se das limitações e trivialidades da vida diária, em busca de uma existência moral e ética superior. Palavras de um agnóstico que afirma que nunca ninguém provou que Deus não existe. Eu me sinto tocado no que tenho de pouco tranquilo... Aquela coisa de sentar e esperar, que Hélio Pelegrino recomendava... Este psicanalista enfatizava a paciência. Tranquilidade espiritual e intelectual superiores, exigindo empenho de nossa parte. Sei que cabe uma preparação para receber com calma e equilíbrio o inesperado. A consciência de que o mundo a nossa volta está por trás de um “abre-te Sézamo”, e uma psique (mente, alma) que não se conhece, convida exploradores do próprio destino. Mundo de racionalidade exacerbada, tende a gerar medo. Medo que se costuma combater com mais medo. Para os gregos da antiguidade, a chave da sabedoria estava em combater o medo com a própria razão. Penso, e vou aprendendo com João-Francisco Duarte que a razão deve ser assistida pelo sentimento. Aí, vem aquela frase do mesmo João na dedicatória que me fez de um livro seu: “Que possamos construir mais e mais sentidos a partir de nossos sentidos”.    



Escrito por Euclides Sandoval às 07h24
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            ECOS E SOMBRAS 1

Um escritor e artista, acostumado a lidar com ambiguidades e ambivalências, dualidades paradoxais e o esquisito surreal, torna-se verdadeiro problema nas relações com quem está mais ligado em relatórios, circunstancialismos e condicionamentos culturais e sociais. Para complicar a vida difícil em atender e alimentar expectativas, o artista sozinho não se dá bem consigo mesmo. Tende a virar um sorumbático, pessoa tristonha e desarvorada. Tal tipo, sensível e agente de transformação, pode ser encontrado fora do próprio hábitat. Acostumado a polir pensamentos, palavras, sentimentos e decisões, é aí que encontra inspiração e calma. Momentos comparáveis a quando se necessita de tranquilidade em meio à rotina burocrática coisificante, a problemas e grandes esforços. Faltando tempo para pintar e escrever, e poetizar, pelo menos um belo olhar para quadros e fotos (eles possuem história). Ao sair na pressa dos compromissos cotidianos (compras, pagamentos), pelo menos uma passagem rápida pelas vibrações dos próprios espaços criativos. Atividade que, em geral, é ficção. Aí o consolo do desenho ou pintura começada, do computador respirando enquanto a digitação aguarda. Basta sentar-se ao PC para que palavras e imagens irrompam na tela do monitor. Cadernos de esboços e textos podem sempre dar bola. Quase ao sentar, não se precisa esperar. Depois de uma boa parte da vida, na obediência de horários, atendendo à expectativa de quem e do para quem nos paga, na obtenção de sempre um mínimo para ajudar na provisão de bens e necessidades, o usufruto do tempo, semente preciosa.

            _________________


A MELHOR AÇÃO 2

Há anos, sempre ao me deitar, mantras de oração. Na alma, meu dispositivo de fé. Fé que se alterna dentro do olho do furacão que é a existência humana. Que tudo ocorra conforme uma vontade superior. Essa conformidade exige condições. Uma consciência mais tranquila pelo esforço de acertar com o coração. Mesmo errando, alimentar pelo menos o desejo de se corrigir, principalmente na relação com as pessoas que amamos. Defender o bem dentro do direito que não é só nosso mas de todos os homens. Ter consciência de que não somos salvadores da pátria, nem seres puros e superiores. Apenas, muitas vezes, eu, em minha poética de ensaio e erro, sinto ter que me esforçar para acertar. Acertar de acordo com o bem-comum, desde que não só se favoreçam corporações de poder concentrado. Não torcer pelo erro dos outros, como num jogo de Tranca. Lucro privado, a partir do prejuízo alheio, é uma má receita em qualquer situação. Revejo isso no caso do fator lúdico... Concentrar-se na qualidade da melhor ação seria um destino meritório. Ter cuidado com formalidades que servem de escudo para trambiques. É como prejudicar inocentes para absolver culpados. Ética e moral, base sólida para atitudes e comportamentos. Nelas, cada um encontra a própria verdade a ser seguida ou traída. Tenho desenhos e poemas, e uma algaravia de textos em velhas páginas, a garimpar. Em tempos mais opacos, estão lá. Meu encontro com eles, faz parte da fase atual, ao buscar novas escolhas. Preencho o espaço de esperança e realidade. Minhas palavras e minha voz, ecos do que devo ou não afiançar. Sei que isso é possível, mas não desejo morrer agora, por mim e por ninguém. Guardo mensagens para um recôndito abrigo. Não ter a doce força para amar sem restrições, um pecado. Mas não está em mim os atos de vingança e imposição de castigos. Difícil nos aceitarmos a todos, expondo alma e coração. Embora muitas vezes relute, chego a me curvar a evidências da ciência e da religião. Ainda existe um cotidiano que se impõe como marreta... Cabe considerá-lo, revendo atitudes e comportamentos. A bússola é a ética e a moral com seus ponteiros até sonoros. “Voz, coragem, força, aceitação/ Tem fonte no mesmo espírito/ Origem no mesmo verbo/ Lugar onde me inspiro/ E a semelhança preservo/ Na comunhão com meu próximo/ No Logos que em mim carrego”. Mais que plágio em frases e expressões sem aspas, eu me regozijo e agradeço a Marina Silva.

                              (Matéria base: “Oficina vazia”, Marina Silva, Folha, 27.9.13. Texto em que destaquei um segmento, no total fragmentado em tweets. Parte 1: Ecos e sombras; parte 2: A melhor ação.)



Escrito por Euclides Sandoval às 09h06
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                                 POR TRÁS DOS SONHOS

                       Não se acorda quem está dormindo, dizia Vinicius de Moraes. Sonhar, no sono, momento sagrado. Profano é despertar quem sonha. Durante o sono aprendi, as células cerebrais se tornam muito ativas. Como se preparar para o dia seguinte? O sonho, mão que se levanta num basta. Parar de se submeter às ansiedades operatórias do cotidiano. Até para agir com maior adequação. Nada de provocar o instinto de lembrar o que fazer e problemas a nos assediar no futuro. O fazer e o dever, questões a encarar, com a maior isenção possível, dependendo das dificuldades.

            Sonho tem a ver com a consciência do eu. Penetra no humano mais profundo. Diz Jung: “Toda consciência do eu é esparsa; distingue fatos isolados, procedendo por separação, extração e diferenciação. Só o que pode entrar em relação com o eu é percebido”. E continua, no excelente “Memórias, sonhos, reflexões”: “Mediante o sonho penetramos no que é mais verdadeiro, mais durável, mergulhando ainda na penumbra da noite original...” O sonho provém dessas profundezas, quer assuma as aparências mais pueris, as mais grotescas, as mais insensatas. “Sonhos não iludem, não mentem, não deformam, não encobrem, mas comunicam ingenuamente o que são e o que pensam.” Só são irritantes e enganadores se não tomamos consciência do significado deles. Sei que isso não é fácil, pelo simbolismo de que se utilizam. “Sempre se esforçam por exprimir algo que o eu não sabe ou não compreende.” Faça anotações com detalhes, por mais fragmentadas e esdrúxulas que possam parecer ao sonhador, num registro datado. Mais tarde é só comparar fatos que sucederam ao momento sonhado (horas, dias, semanas). Com um pouco de prática, e se ligando principalmente nos “escapes” (quando ocorre a interrupção voluntária do conteúdo do sonho). Aqui, ótima pista para se desfazer armadilhas geradas pela própria pessoa. Foge-se do que não se quer encarar. Claro que nos sentimos melhor em nossa pele.

            Por vezes sou tolerante com a própria ingenuidade... Sobretudo nas relações de força, quando se é subjugado por alguém ou por um sistema. Momento em que minha fala parece onírica. Chegariam a dizer: “Pare de sonhar, seu bobo!” Quem dorme e sonha é como se estivesse diante de um oráculo. O sonho nos prepara para o novo tempo, sob  a orientação do inconsciente. Por isso, não vale interrompê-lo. Vivemos aprisionados em prismas, expansão irradiante do cotidiano do dever e do fazer. Ao sonhar, forças são liberadas. É autocrescimento.  

 



Escrito por Euclides Sandoval às 11h34
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CONTAS A PRESTAR

Demorei a entrar no facebook e, anteriormente, a atuar como blogueiro. Preconceito, claro. Eu, achando não valer a pena adoçar o cotidiano circunstancial. Talvez preferisse lidar com formigas do que com humanos. Em dado momento vi o facebook como janela para quem não contatava desde longa data. Incrível! Gente amiga ia voltando como de outras nuvens. O idiota aqui foi deixando de ligar para o pedantismo intelectual. Pessoas próximas e queridas falavam comigo. Há anos, certo isolamento nos blogs e microblogs ipansotera, pouquíssimo partilhar. Eu convencido de que minhas postagens são para boi dormir. Como quem acredita doar pérolas numa disponibilidade social. Autoimagem meio boba. É acreditar no vale quanto pesa da própria mente e coração. Um paquiderme na utilização da incrível ferramenta que é o PC e a internet, fui sendo ajudado por amigos amorosos. Teve início uma interatividade entre meus blogs e o facebook. Este, mais dinâmico e interativo. Exercício para o libertário. Procuro assumir postura aberta com relação ao que penso e sinto. Gostaria de sentir mais do que penso. Sei que enfrento coisas arraigadas – preconceitos e dificuldades adaptativas. Sou evolutivo, acreditando na capacidade de transformação do ser humano. Vamos pôr pingos nos is. Colocar nosso cérebro e o de outras pessoas em “modo de treinamento”, numa preparação para lidar com situações complexas que possam aparecer em algum momento da vida. Já enxerguei vileza e correção onde nem uma nem outra reconheço hoje. Certos erros e falhas já me foram descontadas. Outros e outras vão dando as caras. É a vida, né? Mais fácil ser duro com o alheio, do que duro na própria casa. Necessário reconhecer que somos massa de manobra e plásticos. Rigidez é para cadáveres. Estes, sempre quimicamente iguais.   



Escrito por Euclides Sandoval às 09h41
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NASCER DE UMA EXPLOSÃO

Falar de morte: um corpo preso e uma alma solta. Choramos o corpo, enquanto a alma vibra no sonho. Sonho que dura três dias... Metáfora ou realidade? Dois objetos: corpo e espírito. Véu de gases viajando em alta velocidade para outra dimensão. Colapso gravitacional pela pressão exercida no tempo de vida. O necessário para se recompor como espírito.  Reciclagem de material evolutivo. O paroxismo de fusão conduz o corpomente a um final de ciclo em rota de aprimoramento. É lei. Processa rica diversidade em vários subprodutos de nossa existência.

A alma é leve demais em seu molejo. O núcleo pesado do corpomente terreno se desintegra no fenômeno chamado morte. Como se fosse torrão de açúcar. Forma de revitalização para o momento seguinte, em outra dimensão. É a estabilidade na mobilidade. Algo difícil de ser quebrado – a alma. Nem os piores predadores conseguem fazê-lo. A região central do espírito se enriquece. Quanto mais carregado de bons elementos (amor, solidariedade), mais ágil. Chega a ocorrer a expansão do espírito na nova fase. Cada caso um caso. Trata-se de combustível adquirido nas lutas e dores.  Quanto mais pesado o sofrimento, podem ser  maiores as alegrias futuras. Em menos de um dia, o coração se transforma. No quê, a questão. O espírito é montanha comprimida em um cubo. Morte é como se o topo de um prédio tivesse seus primeiros andares vaporizados. A assinatura dos estertores do corpo que se definha. A morte como “buraco negro”. Quando a luz escapará de suas garras? A nova vida é outro “sistema solar”. Nasce de uma explosão. O que destrói, cria ao mesmo tempo.

(Homenagem a quem amamos pelo aniversário no próximo dia 20.)

 



Escrito por Euclides Sandoval às 10h33
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Influenciado por um livro de esboços. Artistas falando (parece até que ouço vozes) sobre o processo criativo, às vezes até não querendo encarar isso de "primeira pessoa". Inicio aqui o meu caderno... Outro caderno sobre os meus Cadernos do Beiral. Coragem para desenhar e mexer em fotos de desenhos, desenhos a partir de fotos... Encheria aqui de reticências já que tudo termina com um etcétera. Eu me meto em textos que são depoimentos, compactando o que sinto e penso. Esta de um autor-leitor. Aquela sensação de falta de originalidade, mas vamos lá. O nome do livro é "Sketchbooks/As páginas desconhecidas do processo criativo", de Cezar de Almeida e Roger Bassetto. A princípio são dez segmentos ilustrados. O título, talvez provisório: "Em Tempos" (de 1 a 10). 



Escrito por Euclides Sandoval às 11h45
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EM TEMPOS

 1

Às vezes procuro entender melhor o que faço. Só comigo mesmo, a coisa  mais preciosa que existe é a tomada de consciência. Tenho os meus cadernos de anotações. Estou no vigésimo quarto. Perto já de dez mil páginas. O último, em que escrevo, vou para quase seiscentas. Pena que, ainda, com poucas imagens e desenhos. Perdoem minha quantofrenia. Fotos?... Também poucas. Exercícios do livre/preso pensamento. Companheiros inseparáveis os “Cadernos do Beiral”. Também fetiches e afagadores do ego. Quando trabalho neles, parece que nada mais importa. Percorro meu próprio caminho no campo das ideias. Vivo de palavras e de conceitos. Estou pouco prático e operatório. Não gosto que tenham expectativas a meu respeito.

EM TEMPOS

1

Às vezes procuro entender melhor o que faço. Só comigo mesmo, a coisa
 mais preciosa que existe é a tomada de consciência. Tenho os meus cadernos de anotações. Estou no vigésimo quarto. Perto já de dez mil páginas. O último, em que escrevo, vou para quase seiscentas. Pena que, ainda, com poucas imagens e desenhos. Perdoem minha quantofrenia. Fotos?... Também poucas. Exercícios do livre/preso pensamento. Companheiros inseparáveis os “Cadernos do Beiral”. Também fetiches e afagadores do ego. Quando trabalho neles, parece que nada mais importa. Percorro meu próprio caminho no campo das ideias. Vivo de palavras e de conceitos. Estou pouco prático e operatório. Não gosto que tenham expectativas a meu respeito. - See more at: http://ipansotera.blogspot.com.br/#sthash.bSa7maOp.dpuf


Escrito por Euclides Sandoval às 11h20
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ROCHAS E GASES 2

Nossas mudanças e transformações decorrem de processos graduais e não abruptos. Algo que preferimos acontecesse de forma bem gradual e uniforme. Mas não é assim. Em nossa estrutura corpomente a mobilidade é lenta. Na rota evolutiva, há muitas existências encarnatórias. Não é fácil identificar o que são traços superficiais e o que é conjuntural na psique. A psique, se for mapeada, ganha em tamanho da mente. Talvez melhor chamá-la de espírito. Inconsciente pessoal e inconsciente coletivo fazem parte do acervo da alma. O pessoal, próximo, mais consciente; o coletivo, desde os primórdios da vida. Isso abrange outras existências, felizmente não ou pouco lembradas. Desde que nascemos se configuram distintos momentos. Fases com características próprias, o que sobra como “gases” ou como “rochas”. Profundidades e altitudes... Considerando os primeiros vagidos existenciais no que melhoramos? Lento flutuar de erros e acertos e o que permanece inalterado... Mudamos com a mesma velocidade de crescimento dos cabelos e das unhas? Não. A vida pessoal se reduz a erupções de índole, mudanças de temperamento e fases de intempéries conflituosas. Alterações sofridas muito vagarosas, construtivas ou destrutivas? Vida de lutas ou de calmarias? Fui um cara mais ou menos adaptado ao próprio ambiente (ambientes doentes e sadios)? Há quem me ajudou, além dos predadores (tais tipos se misturam na mesma pessoa). Que manchas utilizamos para nos camuflar em um cotidiano cheio de armadilhas? Fomos mais hipócritas ou mais transparen tes? Minhas mutações ajudaram ou me atrapalharam? Como a gente se reproduz na prole ou nos outros? O que vejo como bom ou como mal? Há diferença essencial entre a geologia pessoal e a do mundo físico?

 



Escrito por Euclides Sandoval às 09h21
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ROCHAS E GASES, NOSSA MEMÓRIA EVOLUTIVA

Como avançamos na vida? Seguimos caminhos manjados ou pistas, umas boas, outras ruins. Acredito numa pré-programação antes de nascermos. Algumas linhas gerais com base na própria história evolutiva. O papel responsável que temos aí parece indiscutível. Livre arbítrio, autonomia individual desempenham papel preponderante. Algo imposto também deve ocorrer. Imposto como consequência de acertos e erros passados. É como se ocorresse um momento para voltarmos à escola. A gente cobrado por deveres não cumpridos. Reconhecer que a rota evolutiva de todos os humanos deve ser retomada. Mais de nós para nós. Também desfazemos nós, e temos fios a reatar.  Olhando para trás, lembramos, por vezes, o que nos afetou, boa ou má lição. Coisas para corrigir, não resgate. A noção de pagamento faz pensar em cobrador implacável. Nós é que nos cobramos, rumo a corrigir. Depois de tropeço, novos passos. Não atribuir culpa a outro que não seja a gente. Sobre o que alinhava o merecido, temos as intuições. A fatura do predestinado é de nossa lavra. Não somos vítimas, espíritos perturbadores existem, porém atraímos o que é indelével fator de conscientização. Melhor do que qualquer receita. Versões nos sujeitam a severas resistências. Muita coisa introjetada por falhas no processo educativo informal (família) e formal (escola). O filtro a nós pertence. Por ignorância ou valores rígidos, seguimos sob a batuta do meio social e do que nos configura. Personalidade, um colete apertado pelos condicionamentos e nosso aparelho genético, até que se apresentam outras perspectivas. A sensação é de caminharmos pelas únicas vias possíveis. Difícil compreender e assumir o vivenciado. Podem surgir as desejadas luzes esclarecedoras. Quando cooperamos e somos solidários, pensando em espargir o bem, geramos boas energias no entorno. E quando fazemos arte, contribuímos para apurar sensibilidades. Um melhor estado de alma, uma maior capacidade para compreender o mundo e a vida. Caso contrário, dores e até o ranger de dentes – aqui parece apropriado o raciocínio causal. Vamos levando a vida, ou somos levados por ela. Não compreender o aspecto construtivo do amor é deficiência a ser corrigida. A inconsciência, concepção rarefeita. Experiências “líquidas” e “gasosas” se esquecem, porém as “rochas” retêm o que produzimos para ser revisitado. Melhor que seja no presente, enquanto se anuncia a alvorada. Perceber e decifrar o que não evaporou, a grande prova do que poderíamos chamar de destino.  

 



Escrito por Euclides Sandoval às 19h47
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O MUNDO COMO CASA

Ver ou não espaço para a própria vida. Ar ou estupor como a regra. Ambos interagem, mas a beleza pode prevalecer. Não vale a pena se afogar no ressentimento ou na melancolia. Romantismo como ressaca não é legal. Ou acordamos como iluministas, científicos e progressistas, ou acreditando em nossa anônima capacidade de renovação. O que se prefere:  viver como drama, ou como uma “agenda”? A dramática inclui ação e assunto, burocracia e participação, um conceito único. Por vezes dá para imaginar não se caber na razão, ao se sentir preso num mundo que não vemos como a própria casa. De qualquer modo, ainda que de forma provisória, ancoramos aqui. O que estaria errado? Acredito que o problema está em não sairmos do passado, como etapa já vivida. Valores e comportamentos podem estar vencidos. Sacudir a poeira e dar a volta por cima, experimentando novos hábitos. Existe um presente sensorial a ser curtido. A natureza tem seu lado de imperfeição, mas sempre se renova. Algumas frases batidas, que ajudam: O sol muda a cada dia; a primavera se repete mas as flores são sempre novas... De qualquer modo, soluções existem latentes para os problemas. “A vida é bela”,  dizia meu irmão.

 



Escrito por Euclides Sandoval às 19h40
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O TEMPO, IMAGEM

Dividimos o tempo em dias, horas, semanas, meses e anos a fim de possuí-lo. Até a ideia bíblica do sétimo dia na criação do mundo. Fazemos o tempo, mas ele não passa de uma imagem. Imagem da eternidade, como se diz. Dentro do tempo damos nome às coisas. Natureza e morte. A vida e a destruição, o nascimento e a morte. Consciência que é bênção e maldição, céu e terra. A natureza é onipotente em criar e destruir. Os “sinais” do fim dão as mãos com o tempo. Aprender a valorizá-lo, belo objetivo. Segmentos iguais – anos, meses, dias – na vã esperança de controlar a “passagem” até quando morremos. Chegamos a contar com a “boa sorte”, no melhor proveito diante da vida. Lidar com nossa mortalidade, um dos aspectos essenciais da existência humana. Ser espiritual por excelência, buscamos conexões com o desconhecido.



Escrito por Euclides Sandoval às 10h34
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O LIVRO NÃO LIDO

Na minha vivência pedagógica e como cineclubista aprendi a associar literatura e cinema. Nos filmes, o fotograma como elemento primário essencial, assim como a palavra (caso da escrita). A prática com fotogramas e com palavras, ajuda na compreensão discursiva. Num livro você lê sem pular palavras; em filme você também deve visualizar um fotograma seguido de outro. Ao pular fotogramas pode-se perder o sentido da totalidade. Sei que numa época mosaica (linguagem televisiva), fragmentada e veloz (internet), sobra pouco para a reflexão. Comum se misturar alhos com bugalhos, ficando difícil entender o que nos interessa.    

 

Tenho um livro, há anos, ainda não lido – “1984”, do George Orwell. Sempre muito citado, a gente embarcando nos comentários de gente abalizada. Agora, esta ideia da Folha, de mais uma coleção preciosa de obras clássicas. Cinema e literatura. Vi “1984”, do cineasta Michael Anderson. Análises importantes acompanham o DVD. Fiz questão de registrar impressões antes do que disseram. Desde o meu “Cinema com Pipoca”, escrevendo ao sabor do que sentia, sem o abuso de detalhes técnicos. Vamos lá: Você se sentir vigiado e comandado; precisar de um protetor (grande pai ou grande irmão); o olhar eletrônico que vasculha a sua intimidade; diários escritos para o futuro, caso de quem não aceita o sistema de poder; você ser um “fora de época”; cidadãos reduzidos  a números; turba, sinônimo de ódio; falta amor num mundo que não se pode controlar; como esquecer quem nos controla?; a histeria do coletivo; a relação pensamentos-palavras-atos; quando só palavras não bastam; sentir esperança, mesmo numa situação retratada no livro/filme; o papel da “polícia do pensamento”...

 

“1984”, escrito em 1948, depois dos horrores da Segunda Guerra Mundial, e o advento da Guerra Fria com a ameaça nuclear; o avanço dos regimes ditatoriais na China e no Leste Europeu.

Livro e filme, libelos contra toda forma de totalitarismo, em que guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força. Todas as épocas possuem esse traço, ainda que esteja camuflado por coragem (medo) e prepotência (guerras saneadoras). Medo que gera violência, voluntariedade sob a égide de um poder maior. Por exemplo, você ser contra o uso de armas químicas e poderio destruidor nuclear, porém manter arsenal a abrigar esses terríveis agentes. “Que não se infiltrem na minha intimidade enquanto invado o privado alheio” – o que falta propalar. Ótimos estímulos para reflexão, o livro de Orwell e o filme de Anderson. Falta agora ler o livro. Parabéns Folha.



Escrito por Euclides Sandoval às 16h51
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TOMAR A BÊNÇÃO

Há um livrinho do Frei Betto, Eugenio Barba e Jurandir Freire Costa que eu não canso de reler – “Ética”. Ajuda para enfrentar o mundo descrito por Pondé no artigo “Em um Mundo Melhor” (Folha, 19.08.2013). Pergunta implícita na obra citada, parte do Frei Betto, “Crise da modernidade e espiritualidade”, como chegamos aonde estamos? A exacerbação da razão é a tónica de nossa época. Quantofrenia expressa bem... Ouvi esse termo, pela primeira vez, do mestre João-Francisco Duarte Jr. Recomendo-lhe o livro “O sentido dos sentidos”, ímpar para a desejável reeducação do sensível. “Mercado”, fetiche religioso da nossa sociedade. Penso também no terrível personagem que é o sistema (nem merece o esse maiúsculo). A tecnologia, para resolver problemas, segue refém do sistema. Sistema como entropia e como saída para trapaças e insuficiências que geram atrasos e golpes pecaminosos. Mercado e sistema fazem parte da mitologia do consumo. Necessidades artificiais na panela de pressão cotidiana. Depois de tudo sob a égide do divino, Deus se humaniza  tocando Adão (Terra) com o dedo, barbado e vestido à moda da época (Renascença). Começa a modernidade racional para depois, hoje, se tornar virtual. De vocação, passa-se a profissão e, daí para emprego. Não se fala em trabalho... O fator de identidade social é estar no mercado. Mercado pra cá, mercado pra lá, maior preocupação é ver como o mercado reage. Para o bem e para o mal, a publicidade o endeusa, ao tornar necessário o que é supérfluo.

Ser ético em clima especulativo, para que o dinheiro produza dinheiro, difícil pelo fato de o mercado ter-se internacionalizado. O que acontece é a exclusão, sem esperança de volta. O neoliberalismo é excludente. Eis a lógica de crescimento do sistema e da acumulação de riqueza. O bolo cresce, sem ser dividido.



Escrito por Euclides Sandoval às 07h42
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